quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dos rompimentos da Vida.

Todos nós um dia já passamos pela triste experiência de romper um relacionamento. Pode ser com uma namorada, com um amigo, com um ente querido, com um inimigo, ou qualquer outro relacionamento que se finda.

Quando se rompe um ciclo alguma coisa é quebrada. Alguém se machuca, sai magoado, ferido…

Eu já rompi inúmeras vezes relacionamentos. Uma vez deixei de participar dos jogos do sensacional Zona Sul Futebol Clube. Saí magoado. Magoei pessoas. Enfim, uma choradeira para todos os lados. Cacos de vidro espalhados pelo chão.

Me fez bem. Voltei com uma insaciável fome de gols.

Toda a semana rompo meu relacionamento com meu irmão. É sempre uma briga sem causa que motiva uma picuinha sem razão. Pronto. Rompemos. Três dias depois estamos dando risada novamente. Iniciamos o ciclo para rompê-lo outra vez daqui a dois ou três dias.

Sempre me faz bem. Voltamos dando mais risadas do que nunca.

Agora rompo meu relacionamento com um ente tão querido quanto meu irmão.

O INTERNACIONAL.

É óbvio que não rompo para sempre.

É uma jura que fiz a mim mesmo. “Não mais sofrerei pelo Colorado enquanto ele não fizer por mim uma coisa muito simples: – Remover o maldito Alecsandro da equipe. Não só da equipe, do clube! Rasgar seu contrato! Queimar, se possível!”

Estou, agora, extremamente entristecido por escrever estas arrastadas linhas.

Qualquer pessoa que tenha um mínimo de conhecimento sobre o esporte Bretão consegue compreender que este jogador a quem me dirijo é o centro de todos os problemas da equipe colorada. A grande maioria dos leitores deste espaço joga ou já jogou futebol, e sabe que um CENTROAVANTE tem duas grandes incumbências dentro da equipe:

–A primeira, e com certeza, mais importante de marcar GOLS. Não um só a cada cinco partidas, mas vários. Guardar. Não deixar a bola atravessar a área adversária sem que no caminho encontre sua perna alterando a rota para o fundo das redes. Matar!

-E a segunda, mas nem por isso, sem importância, a de segurar a bola no ataque para que possam, os companheiros, ajudá-lo na árdua tarefa de rasgar uma defesa.

Uma equipe pode muito bem jogar uma partida acuada em seu campo, desde que ele esteja lá. O desafogo. A luz no fim do túnel. O SuperHomem.

É isso que espera o goleiro quando desfere o tão insensato balão. Ele se joga do oitavo andar na esperança de que o SuperHomem o pegue antes de estatelar-se no chão.

É isso que quer o zagueiro acuado por três adversários. Ele se joga do avião e torce para o pára-quedas abrir.

Eles rezam.

Por favor Alecsandro! Segura esta bola só um pouquinho para podermos respirar!

E ninguém os ouve.

Deus está olhando para o outro lado.

O Fossati está olhando para o outro lado.

Por isso rompo com o Inter. É uma greve de amor. Uma greve por solidariedade aos jogadores, que são obrigados a se jogar do oitavo andar em todas as partidas, sabendo que o SuperHomem não virá para salvá-los.

Mas rompo para voltar a amá-lo amanhã, ou depois, quando passar a raiva que estou sentindo.

Rompo como quem rompe com um irmão, que fez uma besteira e irá se redimir.

Mas uma coisa é certa! Só voltarei a amá-lo quando aquele MARGINAL tiver deixado em paz um relacionamento de uma vida!

INTER! ME DEIXE VOLTAR A AMÁ-LO! SE REDIMA COMIGO!

MANDE O ALEC EMBORA!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pontos de vista...

Houve, neste domingo último, o 1º dos Grenais que finalizam o campeonato gaúcho de 2010.

Jogo pegado.
O tempo inteiro aquela velha marcação cerrada. Chutes desferidos contra canelas, tapas nas orelhas, agarramento nos escanteios, nada de novo por aqui.

O jogo terminou com o placar marcando 2 a 0 para os azuis.

Poderia muito bem acabar 2 a 0 para os encarnados.

Não aconteceu.

Grenal é Grenal (e vice-versa, como diria o Jardel).

Em um clássico tudo pode acontecer, e do meu ponto de vista, um jogo totalmente comum.



Entretanto fica, ainda do meu ponto de vista, uma pequena questão a se pensar.

Se os fatos que acabo de listar aqui são tão habituais, por quê a repercussão tão grande acerca da partida.



Exatamente isto! Os pontos de vista.



Patroa: "Bah! Mas o Inter queria perder o Grenal! Eles jogam sem vontade! Parece que estão fazendo corpo mole!" Assim mesmo, com todos estes pontos de exclamação.



Maurício Saraiva: "Um nó tático do grande vencedor do Grenal, Silas. Ele que vinha em uma decadente com sua equipe, agora sorve os louros da vitória construída em cima de um esquema já consolidado..." e por aí vão mais duas horas de dissertação.



Negão: "Viu?! Eu disse que o Hugo joga demais! É brincadeira. Só porque o Silas tem os namoradinhos dele, não coloca o cara em campo." Quando o cara encasqueta com um jogador ninguém tira da cabeça.



Eu (sempre sereno e isento) : "Isso acontece. O Internacional poderia ter vencido o jogo NÃO FOSSE AQUELE LIXO HUMANO DO ALECSANDRO! MAS É UM MARGINAL! E PIOR AINDA É O DROGA DO FOSSATI QUE COLOCA ELE!" Um doce de pessoa.



Tia Léa (minha sogra para quem não sabe) : "Eu acho que eles combinaram. O Inter ganha um ano e o Grêmio ganha no outro." Bah Tia Léa, sem comentários!



E fossem listadas aqui todas as pessoas com quem conversei, todas teriam visto sua própria peleia.



Mas este foi o jogo de fundo da rodada.



O importante mesmo, ou como diria meu pai "o quente", ahh amigos, este se deu nos longínquos pagos da zona sul.



Escalação:

Equipe do Indio:

F. Pato, Índio, Juliano, Henry, Tchutchuca, Negão e Cássio.



Equipe do Zé:

Dudinha, R.pumba, Cavanha, Milan, Manzi, Marselle, Rafa e William.



Para bom entendedor um pingo é i.



A partida terminou com uma diferença semelhante a do Grenal, 2 ou 3 tentos separaram os placares das equipes.

Venceram ELES.

E assim como no Grenal, não seria nenhuma injustiça que fosse vencida pela equipe da qual eu fazia parte.



Do meu ponto de vista (e tenho o direito de ter um), nossa equipe começou melhor. Até porque abrimos o placar com um golaço deste que vos fala na saída de F. Pato.
Aliás, esse goleiro ainda não percebeu a diferença entre um comum e um fora de série.



Dica: F. Pato, antes de sair como louco, olha se não sou eu que estou com a bola, senão vai ficar só vendo ela entrar novamente.

Ainda do meu ponto de vista (e deixo bem claro que todos a lerem estas linhas podem aqui expor o seu), a equipe adversária se apresentou de forma quase impecável. Com uma linha de zaga muito bem posta com um Negão sempre firme e um Tchutchuca pegador ficava bastante difícil para transpor tal barreira, e quando conseguíamos tínhamos a complicada missão de bater o incrível F. "El Doido" Pato. Ainda dispunham em sua meiuca, de um Juliano endiabrado, fugindo das afáveis rasgadas disferidas por mim e "El Perro" Cavanha, de Henry sempre tentando o drible e as piruetas e de Índio com passes cirúrgicos. Quase impecável eu disse.

Enquanto tínhamos em nossa equipe a linha de zaga formada por Rafa "A Barreira" e William "Faustinho" fizemos frente. Jogamos bem. Tocávamos a bola com desenvoltura e vez em quando tentávamos uma estocada, até com gols. Tínhamos a confiança de tentar a jogada arriscada por saber que estávamos bem assessorados defensivamente.

O final da partida passa por estranhos acontecimentos, inversão de faltas, laterais invertidas e choradas sem motivo. Mas isso do meu ponto de vista.

Alguns outros pontos de vista:

Tio Jorge: -"Bah Pumba! Vocês tão melhorando! Dessa vez só tive que tomar 8 cervejas pra aguentar esse jogo." Que corneta!

Juliano: -"Tava ruim de pegá o véio..." Depois o cara quebra, ficam tudo brabo comigo.

F.Pato: -"Acho que estavam um pouco desequilibrados os times." Que observação.

Manzi: -"Pô, esqueci meus óculos em casa. Não vi ninguém do meu time! Por isso não passei a bola em nenhuma ocasião." Percebi Manzi!


É isso.

Ponto de vista.

O meu é esse. Qual é o seu?

domingo, 18 de abril de 2010

A vida é sempre mais surpreendente que a Arte!

Esses dias assisti o filme “2012”. Quanta criatividade!!

Rapaz! O cara conseguiu fugir de um terremoto que o perseguia, conseguiu roubar um 747 e pilotá-lo, chegou à China em meia hora! E ainda conseguiu reatar com sua ex-garota se livrando do atual namorado por meio de morte por afogamento!!! INCRÍVEL!

E isso não foi tudo! Mais 90% da população mundial foi dizimada e nosso mocinho conseguiu fazer uma “arca de Noé do futuro” salvando milhares de espécimes animais. Ou seja, o cara era o Chuck Norris!

Isso deveria me surpreender.

Mas eu já percebi. Nada na TV pode ser mais surpreendente do que a própria vida. NADA!

O BBB por exemplo. Sabem qual o problema? As câmeras. Elas tiram a humanidade das ações. Por exemplo… Quantas vezes vimos o Dourado chutar a cabeça do Bicézar no mais assistido Reality? NUNCA! Isso seria pesado demais.

Digo isso obviamente para falar do que importa mesmo.

O futebol.

Ligação do Presidente:

-“Bah Pumba… O jogo vai ser feio! Vamos ter que convidar o Gui! Já vai o Cássio, o Negão e o Manzi!”

-“Putz! Eu ainda tenho uma má notícia! Nem o Careca vai jogar.”

Ao que me responde, ele:

-“Deus, tenha piedade de nossas almas!”

Tudo indicava a pior partida de todos os tempos.

Mas como eu disse anteriormente, a Vida sempre é mais surpreendente!

Começando pelo início:

O jogo foi de igual para igual. Apesar de uma equipe ter como goleiro nosso Presidente F. Pato (que descobriu agora, graças à Deus, que É goleiro), e a outra equipe revesar no gol.

Índio, contrariando suas atuações anteriores, ridículas, diga-se de passagem, jogou demais. Defendeu como Mauro Galvão, com desarmes corretos e carrinhos pontuais. Atacou como Alex Cabeção, com seus passes mágicos e visão apurada. Incrível! A última jogada,com um passe milimétrico para eu fazer o tento derradeiro foi digno de James Cameron – diretor de Avatar e outras grandes obras cinematográficas, para quem não conhece.

Cássio (nosso querido gordinho), ontem foi incansável! Sim, amigos. Voltava na marcação, ajudava no ataque, se posicionava corretamente. Excelente!

F. Pato, agora goleiro, pegou até a mãe (sem desrespeitar jamais a matriarca de alguém… é força de expressão). Jogou demais. Implacável nas defesas arriscadas, com carrinhos e pancadas à esmo. E debaixo dos paus pegou tudo! Não havia bola que passasse! Ele agarrava!

Mas nenhuma destas atuações seria tão bem vista, não fosse o adversário.

Um timaço! Zé consciente em todas as jogadas. Lucas com transpiração digna de Guiñazu. Negão baixando o sarrafo (como sempre). E ele. Manzi! Taxado como velho, decrépito, ridículo, sem vergonha… Jogou muito. Articulou com muita habilidade todos os ataques de sua equipe. Fez gols de Romário, um toque. O toque. Foi o capitão e o avalista da grande atuação dos adversários.

Até aí, amigos, não relatei nenhum fato que nos faça pasmados. Tudo isso já vimos ou ouvimos falar.

O que não tínhamos ainda visto é um homem ter seu contrato rescindido por sua mina de fé.

Nós homens somos nós e o futebol. Ele faz parte de nós. Inexistimos sem ele. É nossa parte mais real! É o que somos multilicado por mil! O surpeendente é isso! O homem teve uma parte sua retirada de si por sua amada. Logo ele. Um dos mais aficcionados pelo jogo. Um dos maiores amantes dos gramados. Isso não se vê nos filmes! Seria demais para nossos olhos. Vermos um homem sendo hostilizado desse jeito nos tiraria do sério!

Eu e o presidente chegamos a um concenso. Esse tipo de atleta será advertido com um pacoteno jogo imediato à sua falta, sendo o motivo da falta o comando da amada.

Deixo claro, desde já, que não sou, nem nunca fui, contra o amor!

Aplaudo o amor e o namoro! Acho que dignifica o homem. Mas o futebol, esse sempre deve estar em primeiro plano!

Apesar dessa falta vimos a vida em sua essência.

Guidje, logo ele que fora escrachado por mim e o Presidente, nos presenteou com uma jogada sem precedentes. Sem precedentes mesmo! Nem Pelé fez aquilo! Aliás, o Gui fez esse gol. O gol conhecido como “O gol que o Pelé não fez”.

A bola vinha na direção do goleiro, ele passou como um raio por ela, e foi buscá-la do outro lado. Só encostou para dentro. Gol. Simples. Incrível. A vida nos pregando uma peça. O gol mais bonito do jogo vindo diretamente de onde menos esperávamos. A lei de Murphy destroçada.

Não fico mais impressionado com as loucuras do Vesgo e Sílvio. Tenho o Gui e o F.Pato.

Não me assusta a loucura de Matrix! Tenho o Cássio e sua incrível mobilidade.

Nada me tira o conforto!

Eu tenho o futebol.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O jogo simples

Lição de história…

Quando os cultos ingleses “inventaram” o jogo mais amado atualmente pelo mundo inteiro o nomearam assim: “The Simple Game” - O Jogo Simples. Até ali eles praticavam apenas o Cricket. O jeu-de-palm (depois evoluído para o tênis). Jogos para a elite. Jogos em que apenas alguns podiam jogar. Apenas os bons, os bonitos, os habilidosos.

Utilizo-me das aspas, quando digo que inventaram, porque o futebol é jogado, de formas das mais diversas, a milhares de anos. Foram sim, os ingleses responsáveis pelo regramento e uniformização do futebol moderno. Mas na antiguidade chinesa, por exemplo, guerreiros de tribos rivais chutavam as cabeças decapitadas de seus adversários por vários quilômetros depois de derrotá-los. Além da China, há registros de jogos assemelhados ao futebol no Egito, na Roma e Grécia antigas.

Bom, dito isso, posso voltar ao ponto de vista que gostaria de compartilhar com os queridos leitores deste humilde espaço.

Todos os que se aventuram por esse espaço virtual já vivenciaram a maravilhosa oportunidade de assistir a uma partida de sua equipe do coração em um dos bares da cidade. E nessas ocasiões certamente deparou-se com alguma garota comentarista ou algum gordinho falador.

Não tenho nada contra nenhum dos dois grupos, já aviso de antemão.

Mas, salvo algumas raras exceções, essas duas espécimes não participam de partidas desse maravilhoso jogo com frequencia. Sendo assim, não têm o conhecimento empírico para tecer comentários muito abalizados acerca deste assunto.

O Jogo Simples é tão simples que qualquer pessoa pode praticar. Há espaço para todo o tipo de jogador. Exemplo vivo disto é Peter Crouch, o grande ídolo de nosso amigo Lelo Mota, empresário importante do ramo musical Porto-alegrense. O jogador em questão não possui a mínima habilidade, nenhuma técnica, velocidade zero, e outras dificuldades. Ainda assim selecionável na esquadra Inglesa que disputará o Mundial. Outro grande exemplo é Clayton, ex-Intenacional de Porto Alegre. Um exemplo clássico de jogador medíocre, não marcava, não passava, não chutava, não fazia nada. Ainda assim indispensável naquela equipe Colorada dos idos de 1999.

Há mais de um milhão desses exemplos. Jardel, Perdigão, Toró…

Todos ruins de alguma forma, mas utilizáveis em algum momento do jogo.

Qualquer um joga.

O que as pessoas que nunca colocaram uma chuteira (seja ela de futebol, futsal, futebol 7, showbol, ou outra forma do jogo simples que talvez esse humilde teclador ainda desconheça) não conseguem compreender é que sempre, em uma partida, há dois grupos de onze homens. E o fato de um destes grupos não ser visto como de grande habilidade não determina a vitória do outro. Como eu disse qualquer um joga!

Este tipo de pessoa pensa que a derrota é obrigação da equipe ruim!

Como pode a equipe grande não vencer!??

Que absurdo uma equipe do Equador fazer frente aos todo poderosos Brasileiros???

Como pode a Nigéria vencer o Brasil, e colocar a tristeza no coração de milhares de apaixonados no país do Rei Pelé??

E o Maracanazzo!? Que terror!! Como pode!??

Mas o futebol não é assim! Os onze homens do outro lado têm um coração! E mais! Têm sua honra!!

Sendo assim, no futebol nunca haverá jogo jogado!

Brasil x Coréia do Norte – O melhor time do Mundo contra uma equipe totalmente desconhecida – jogo jogado? Não.

Brasil x Austrália – O time com maior número de melhores do Ano na história contra um bando de caçadores de canguru e jogadores de rugbi. Jogo Jogado? Nunca.

Internacional x Barcelona – Um timezinho do Sul do Brasil sem nenhuma grande estrela e ainda o Edinho na volância, contra uma seleção de todos os países do Mundo. Jogo jogado? Sabemos que não.

Grêmio x Pelotas – O time mais raçudo do Mundo, craques em abundância, Vítor, Jonas, William Magrão, etc… Contra um time vindo da série B do Gauchão. Jogo jogado??? Acho que não.

Eu amo o jogo simples.

Eu posso jogar. O Ronaldo Bebê pode jogar. O Edinho pode jogar! O Jonas pode jogar! Até o marginal do Alecsandro pode!!!!!

E só amo esse jogo porque toda e qualquer equipe, sempre, ao entrar em campo, tem uma chance de vencer!

E só tem a chance de vencer porque este é O JOGO SIMPLES.

R. Saja continue com esperanças!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Questão de Prioridades

“-Ai, que inferno! Aquela banca desgraçada me colocou pra fazer prova lá na zona norte!! Que droga!”.

Era a vigésima oitava vez que a patroa me reclamava devido à péssima escolha de local de prova do concurso que ela foi fazer. Algo que eu não tinha o mínimo poder de mudança. Mas já percebi. Ela fica nervosa com essa besteira de futuro, de se dar bem na vida, enfim, detalhes, e como eu estou mais perto…

Enquanto ela bufava de raiva por causa de besteiras, eu me roía de ódio por razão muito mais importante!

O futebol!

Perdi uma partida ridícula contra uns amiguinhos do Henry. Primeiro que o embate foi depois de onde “O Judas perdeu as botas”, tão longe que o Dudinha (que reside depois de onde o vento faz a curva) se surpreendeu. PelamordeDeus! O jogo foi tão bagaceiro, que um dos adversários jogou os 20 minutos finais da peleja de pés descalços! O famoso Pé-de-cachorro! Uma chinelagem nunca dantes vista! Um outro, o zagueiro deles, jogou com o relógio da xuxa! E o goleiro usava uma peruca igual ao do Batistuta nos anos 90. Nunca passei tamanho vexame!

Isso foi no sábado. (Mas a patroa me atucanou a semana inteira por causa do concurso)

Eu também fiz o tal concurso, mas sou um cara seletivo quanto às preocupações. Jamais esquentaria a cabeça com coisas tão sem importância. Estava louco mesmo com a tal partida! Não dormi. Comi pouco (apesar da forma que diz o contrário). Um coitado!

Foi assim que fui para a prova. Desacreditado, com pena de mim mesmo, com fome, com sono, mal.

Mas era outro dia. Domingo. Dia lindo. Aniversário da minha vovó.

A prova foi tranquila. Surpreendentemente eu tinha uma noção (pequena, mas tinha) do assunto sobre o qual a prova falava. Lia as questões e pensava: “já ouvi isso em algum lugar…”. Não fui de todo mal. Terminei a prova em uma hora e meia! Um recorde para mim. Nunca havia ficado mais de uma hora em prova na vida! O dia iniciava bem.

Fui para o aniversário da minha avó. Lasanha! Adoro lasanha! Principalmente depois que minha avó começou a retirar o plástico que protege a massa da lasanha antes de assá-la (sim, por algumas vezes tive uma surpresa plástica durante a mastigação). O dia seguia muito bem.

Mas foi nesse momento que o dia ficou 100%!

Meu irmão me liga e diz com sua voz de eterno bagaça da Cidade Baixa: “-Aí Rafa, me busca aqui num torneio. Tenho que almoça pra voltá de tarde. Vamo te contratá pra segunda fase! Contrato de emergência!”. Fui.

Cara. Fazia mais de um ano que não jogava campeonato. Avisei pro Juliano. Estava acostumado com a pegada da Redenção. Não sabia mais o que era jogar com outro juiz em campo (além de mim, é claro). Comecei muito mal. Me arrastando. Mas fui entrando no ritmo da equipe: ZÉ PNEUS. Sim amigos.

Dois jogos depois e estávamos na final. Até ali atuações apagadas, apenas ajudando a equipe na marcação, ficando mais tempo no banco do que em quadra. MAS ERA A FINAL.

Joguei como sempre jogo. Final de mundial. Brasil x Argentina. Não importa o adversário. Eu gosto de batalha!

Entrei no meio do primeiro tempo e não saí mais. Pelo menos até que o juiz me pedisse gentilmente, com seu braço erguido e com o lindo cartão encarnado em sua mão. Quase um convite para jantar. Sim senhores. Fora expulso. Não importava mais. A equipe era muito boa, não tínhamos como perder.

E enquanto eu tinha essas preocupações totalmente indispensáveis minha senhora queimava seus neurônios naquela besteira de prova.

Por isso que eu casei com Ela!

Questão de prioridades.    

sábado, 3 de abril de 2010

Tudo acaba quando termina… Mas pode voltar!

Começou com um chute na cabeça do craque Henry. Então as discussões com outros atletas ficaram mais acentuadas. Ficaram frequentes os vetos a outros atletas, alguns trocaram até de continente para prosseguir na carreira de atleta. E no fim brigas com o presidente. Foi a gota d’água. Tive que me afastar do mais famoso clube da Zona Sul de Porto Alegre.

A vida é assim mesmo, tudo inicia, cresce, decai e morre.

Aconteceu comigo.

Vai acontecer com o Fossati.

Iniciou com as escalações ridículas, na esperança de Alecsandro ser um centroavante razoável. Depois começou a deixar o Giuliano no banco. Brigou com o menino Walter. E finalmente se estranhou com o todo poderoso Fernando Carvalho. Ele já caiu.

A vida é assim.

Mas eu voltei!

Um tempo fora da esquipe me fez um bem danado. Já na primeira partida da volta marquei 4 gols na vitória apertada por 4x3 contra a equipe dos namorados do Pedro. Se seguiram as atuações mágicas. Golaços, passes açucarados (nos pés de Charlie e de Pedrinho e mesmo assim os dois desperdiçam ridiculamente), viradas históricas e muito mais. Voltei para a vida de estrela.

Tu também podes voltar um dia Fossati.

Quem sabe um tempo fora do Internacional faça bem a Fossati. Talvez ele reflita e perceba o quão ridículo é escalar um 3-6-1 no Brasil. Talvez abra seus olhos sobre a ruindade de Alecsandro e Edu. Talvez veja que no Brasil não se vai a campo de terno e gravata num calor de 42 graus.

A vida é assim. Sempre no dá uma segunda chance.

O meu sofá, por exemplo. Um sofá de couro (ilegítimo), marrom, estiloso, confortável. O sofá no qual dormi muitas ciestas em Sap City. Meu companheiro. Mas vinha mal. Estava rasgado. Mal tratado. Feio. E sofria reincidentes críticas por parte de meus familiares e dos familiares de minha patroa. Ele era o Fossati. E eu era Carvalho. Só me livraria dele quando não houvesse mais chance de utilizá-lo. Ele iria até o fim comigo. Mas acabou.

Minha sogra nos presenteou com um sofá novo. Maravilhoso. 3 lugares, um mais cumprido que os outros. Cheirando a novo. É um Felipão!

Acabou.

Me livrei do Fossati. O joguei na sarjeta (literalmente, depois de meia hora já haviam dois moradores de rua deitados no meu tão amado sofá). Coloquei o Felipão dentro de casa.

A vida é assim.