Filosofias Salgadas

Devaneios, loucuras, filosofias, chinelagens, lariras, badernas, balbúrdias e tudo mais que o povo gosta, mas sempre usando a cabeça, por que aqui ninguém usa chapéu!

sábado, 23 de junho de 2018

Só futebol...

Ele nasceu no Kosovo.

Sua família percorrera caminhos tortuosos, passando por diversas fronteiras até alcançar a tão sonhada paz.
Aliás, paz não, distância da guerra, já que um refugiado nunca encontra realmente a paz. Chegados à Suíça, seus pais e ele conseguiram sobreviver devido ao acolhimento recebido de alguns, da solidariedade de outros, do trabalho arranjado aqui e da força de vontade característica daqueles que fogem das contendas que vitimam seus irmãos.

Anos depois, já homem feito. Realiza uma façanha, com uma multidão espalhada pelo mundo assistindo.

Ele chegou até ali lutando. Contra a pobreza no início. Contra o sistema que o hostilizava depois, e enfim contra os adversários no campo. Mas para ele a luta era normal. Desde pequeno sabia o sabor amargo da derrota. Nunca se deixou abater por uma porta fechada ou um "não" à queima roupa. Sua história mostrava que ser forte era a única saída para continuar vivo.

Eles estavam sendo vencidos. A derrota caminhava a passos largos na sua direção. E de repente, parecendo uma dádiva divina, um pequeno milagre, ele recebeu a oportunidade da virada. De frente para a vitória, carregando toda a carga de uma nação não reconhecida, carregando nas costas a sua história de quedas e novos começos, ele conseguiu. Triunfou.

Não sou um especialista em geo-política. Nem tenho a pretensão de me colocar do lado da Albânia ou da Sérvia na questão da Guerra do Kosovo.

Mas este gol... Esta comemoração...

Uma explosão de uma vida inteira (algumas vidas, na verdade) colocada em um gesto de 2 segundos.

As mãos entrelaçadas sobre o peito em alusão às duas águias negras presentes na bandeira Albanesa.

Um gesto tão carregado de sentido, que eu não conseguiria descrever em duas mil páginas.

O que te faz chorar? O que te emociona no nosso mundo?

Hoje eu estava lendo uma matéria sobre essa comemoração de gol para a minha esposa e não consegui terminar nem o segundo parágrafo. As lágrimas brotaram apesar do meu esforço para manter a aparência de distanciamento e insensibilidade. Minha voz simplesmente se recusou a sair e eu não fui capaz de acabar a leitura.

O que te emociona?

Enquanto ela lia o final da história, eu pensava em tudo o que se passou do momento da saída da família do Kosovo até aquele chute. Pensei na Clara, no meu pai, na família caminhando a esmo sem a certeza da próxima refeição, na vergonha do não pertencimento a lugar nenhum...Toda essa energia acumulada por anos, despejada em uma bola. Um chute. E a emoção.

Um amigo me falou na sala dos professores:
-Não sei o que tu vês no futebol... É só um jogo. A Copa faz as pessoas deixarem de ver o que é importante!

O que é importante?

Um jogo nunca é só um jogo se nós sabemos ler nas entrelinhas.


domingo, 1 de junho de 2014

Universo Paralelo

Acho que eu tenho vivido em um Universo Paralelo.

Andei conversando com algumas pessoas do meu círculo social e, apesar de aparentarem ótimo estado de saude, boa estabilidade mental, vida financeira tranquila e afetivamente bem estruturados, se queixam corriqueiramente de tudo o que é possível. "A vida está horrível, os preços estão absurdos, a pobreza é gigante, os políticos são corruptos, ninguém quer nada com nada, a chuva é muito molhada, o sol é muito quente, etc, etc..."
Ontem a noite saimos, a excelentíssima e eu, para caminhar pela Cidade Baixa, cumprimentamos o morador de rua que vive próximo ao nosso prédio (que como sempre nos cumprimentou de volta com muita educação, apesar de ser negro, pobre e usuário de crack), caminhamos pela João Pessoa, passamos em frente a um prostíbulo conhecido e frequentado pelo alto escalão da sociedade Porto Alegrense e finalmente chegamos à Lima e Silva. Estranhamente não fomos assaltados, esfaqueados, sequestrados, degolados, nem nada do tipo.

Me assustei, pois havia conversado com várias pessoas que me fizeram relatos horripilantes de que haviam
presenciado (pela televisão) a ruína da sociedade Brasileira. Haviam visto milhares de usuários de drogas nas ruas roubando, se prostituindo, matando e tudo o mais terrível por mais uma dose. Mortes de crianças com consentimento de seus pais, mesmo estes médicos e com o aval dos tribunais. Jovens fazendo sexo nas ruas, pessoas agonizando nas filas dos hospitais...

Pensei realmente que havia entrado em outra dimensão. Havia já alguns dias que pensava isso, pois no mundo em que eu vivo (e sou professor em dois municípios do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil) não vejo um assassinato na rua desde que me conheço por gente, nunca fui assaltado, não vivo em completa miséria nem fui mal atendido em hospital nenhum (aliás, tenho ouvido de gente que precisou mesmo de hospitais, coisas até muito boas). Será o café que eu tomo toda manhã tem alguma substância alucinógena (colocada por esses petistas sem vergonhas) que não me permite ver a verdadeira face tenebrosa
de nossa realidade?

Da minha janela (que mostra a rua e não a janelinha por onde a maioria vê o Motta, o Pânico e o Fantástico) eu consigo ver a maioria dos meus amigos (que são jovens) empregados, ganhando provavelmente mais do que seus pais nesta mesma fase da vida. Milhares de prédios sendo construídos para todos os lados (e gente comprando estes apartamentos). Carros pra todos os lados (muito mais do que deveriam, na minha opinião) e a gurizada indo tomar cerveja de segunda a segunda.

O governo é corrupto no meu universo paralelo. Mas nem um centímetro mais corrupto do que é há 514 anos.
A educação é fraca nas escolas públicas. Mas os professores (e estes eu conheço muito bem) dão o seu máximo (e o que mais precisar) pra formar seres humanos mais éticos, mais educados e mais preparados pro futuro.
Os hospitais são insuficientes no meu universo paralelo, mas com uma sociedade de fumantes, obesos e sedentários não poderia ser diferente.
Existem muitos moradores de rua (e muitos não são bandidos, apesar de não terem onde se abrigar), mas isso é um reflexo da sociedade que gira em torno do capital existente em todos os países do mundo.

Acho que ainda teremos que esperar para ter uma sociedade equilibrada e com direitos iguais, mas 514 anos de exclusão dos pobres, benefícios para as mesmas famílias, distribuição de renda nula e possibilidades educacionais totalmente diferentes entre raças e faixas salariais não se mudam em 12 anos de governo (quase) de esquerda.

Bom, na vida real mesmo, em que a maioria dos meus conhecidos vive, há várias coisas que podemos fazer pelo Brasil:
1- TORCER PARA A ARGENTINA GANHAR A COPA! POIS ELA (A COPA) É A GRANDE CULPADA PELA ROUBALHEIRA DESENFREADA DOS NOSSOS GOVERNANTES (PETISTAS), E NÃO O NOSSO SISTEMA POLÍTICO SIMPLES E DE MECANISMOS TRANSPARENTES;

2- VOTAR NO AÉCIO. POIS SÓ UM HOMEM DE CARREIRA POLÍTICA EXEMPLAR, E SEU PARTIDO QUE NUNCA TEVE A CHANCE DE FAZER UMA MUDANÇA SOCIAL E POLÍTICA NO BRASIL PODE NOS AJUDAR.

3- A VOLTA DA DITADURA! POIS APENAS COM UM PULSO FIRME CONSEGUIREMOS VOLTAR AO CAMINHO DE CRESCIMENTO DO PAÍS.

4- APLICAÇÃO DA PENA DE MORTE! POIS SÓ COM UM EXEMPLO FORTE ACABAREMOS COM ESSES MARGINAIS QUE ESTRAGAM O BRASIL.

5- COMPARTILHAR SEMPRE E SEM PESQUISAR FONTES, AS COMUNICAÇÕES DA "TV REVOLTA", MESMO QUE A MAIORIA NÃO TENHA NENHUM COMPROMISSO COM A REALIDADE.

6- E POR ÚLTIMO, MAS NÃO MENOS IMPORTANTE:
SE MUDAR PARA OS EUA, LÁ É O PAÍS DA LIBERDADE (APESAR DE BRASILEIRO SER TRATADO COMO BARATA SE NÃO FOR LÁ COMO TURISTA), LÁ NÃO TEM POBRE, OS HOSPITAIS SÃO BARATOS E É MUITO FÁCIL CONSEGUIR UM BOM EMPREGO E COMPRAR UMA CASA.

SE MUDAR PARA A AUSTRÁLIA, POIS LÁ NÓS SOMOS RESPEITADOS COMO CIDADÃOS UTILIZANDO AS MELHORES QUALIDADES DOS BRASILEIROS: LAVAR PRATOS, CONSTRUÇÃO CIVIL E SER GARÇOM, MESMO COM UM TÍTULO DE DOUTOR EM DIREITO OU ADMINISTRAÇÃO.

OU SE MUDAR PARA A EUROPA, ONDE TEMOS A MELHOR QUALIDADE DE VIDA DE TODAS (MENOS EM PARIS, QUE SE TU FOR MEIO ESCURINHO SÓ PODE VIVER NA PERIFERIA, OU EM LISBOA, QUE SE TU FOR DE ORIGEM ÁRABE TU TEM QUE VENDER MACONHA NA RUA PRA SOBREVIVER, OU EM BARCELONA, QUE SE TU FOR POBRE VAI TER QUE TE PROSTITUIR PERTO DO PORTO, FORA ISSO TU É UM REI!)

No meu universo paralelo a única saída do Brasil é que cada Brasileiro assuma o seu papel de cidadão pensante.
Mas já percebi que fazer as coisas certas, trabalhar sem choramingar e não ficar colocando a culpa de tudo no governo é coisa de alienado.

EU VOU TORCER E MUITO PELO BRASIL NA COPA!! E VOU TORCER PRA VOCÊ LER ISSO E PERCEBER QUE O MUNDO É MAIS LEGAL DO QUE O MOTTA, A GLOBO E A TV REVOLTA QUER QUE VOCÊ PENSE. E NO MEU MUNDINHO, VOCÊ VAI TIRAR A BUNDA DO SOFÁ, VAI DAR UMA CORRIDINHA, PARAR DE FUMAR, NÃO VAI MAIS FURAR O SINAL VERMELHO, VAI PAGAR O QUE DEVE DE IMPOSTO DE RENDA, VER O QUE O
CARA PRA QUEM TU DEU TEU VOTO NA ÚLTIMA ELEIÇÃO ESTÁ FAZENDO E AINDA VAI PERCEBER QUE EU AINDA TE AMO COMO SER HUMANO MESMO QUE TU ODEIE TODA A VIDA QUE TE RODEIA.

Um abraço.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

E se...


 E se...
Havia já tres horas que estávamos parados em uma tranqueira absurda entre a praia e Porto Alegre, a Big (minha esposa) e eu, quando a ideia me veio à cabeça. Vou protestar contra este abusa que é uma estradinha para um milhão de carros... É inadmissível que a confusão continue acontecendo fim de semana após fim de semana, feriado após feriado. ALGUÉM TEM QUE CHIAR!
Acontece todo ano em São Paulo. Vem uma enxurrada e lava centenas de casas, ficam milhares de desabrigados, ninguém chia... “É a natureza...”
Acontece nas encostas no Rio de Janeiro, chuvarada, os barracos são levados, um monte de mortos, ninguém fala nada... “Foi um temporal...”
Aconteceu agora na boate... Tudo indicava uma tragédia e ela aconteceu. E se a gente não chiar, nada muda.
Pra quem pega a estrada é assim... Estrada atrolhada, carros potentes, ínfimas áreas de escape, horas de engarrafamento, stress, mortes aos montes... Acontece, é o crescimento da frota...
Não é Não! É descaso e falta de interesse (ou interesses escusos).

Chega disso...
As coisas podem ser evitadas. As nossas estradas estaduais são todas concedidas à iniciativa privada, que cobra ainda muito caro para que se rode (ou fique parado) nelas. Sendo assim, para onde vai o imposto que pagamos? Na estrada não é... Desde que me dirijo ao nosso litoral a freeway tem o mesmo número de pistas. Desde que tenho 5 anos a RS040 tem apenas uma pista que vai e uma que volta. Cadê o investimento de 28 anos de imposto???
E se nós pudéssemos escolher aonde vai a grana dos nossos impostos?
E se fossem tomadas providencias para evitar as enchentes de São Paulo?
E se não fossem permitidas construções em encostas no Rio de Janeiro?
E se o poder público vistoriasse e realmente, sem interesses, pudesse impedir o funcionamento de estabelecimentos que oferecessem riscos?
E se a nossa democracia e o direito de falar e ser ouvidos fosse realmente posta em prática?

Todos somos responsáveis quando não dizemos nada...
Estamos todos presos.
Nas nossas cadeiras assistindo alheios, deixando que façam o que querem.

Bom... A minha ideia (e não sei se é possível, que venha um engenheiro e me diga o por quê não) é que haja uma malha ferroviária em todo o nosso estado, evitando milhares de mortes nos feriados e ajudando muito no crescimento das cidades litorâneas.
Vamos usar a tecnologia em coisas mais importantes do que apenas publicar uma fotos dos nossos lindos narizes...
Se tu concordas compartilha, comenta, discute, grita, fala, CHIA!!!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PISCINA GELADA


Hoje eu me CASO.
Ouvi alguém dizer que o casamento é como uma piscina gelada... Sabe? O primeiro otário se joga lá dentro e fica gritando para os outros: -Vem! Vem que a água tá boa!
Buenas... Eu tenho compartilhado a minha vida com a senhorita Barbara por quase 8 anos. 8 anos! É muito tempo! Em 8 anos uma árvore é plantada e já faz sombra. 8 anos são duas Copas do Mundo. 8 anos são duas eleições para presidente da República Riograndense. Em 8 anos um guri nasce, aprende a caminhar, joga futebol, anda de bicicleta (em alguns casos não). Em 8 anos o Internacional ganhou duas Libertadores e um Mundial Interclubes ( Mundial este com participação de clubes de cada um dos continentes mesmo e não apenas um amistosinho entre Europa e América Latina). E é aí que quero chegar.
Eu não sou muito supersticioso, tanto é que marcamos a data do nosso casamento para o dia do Fim do Mundo segundo os Maias ( aliás eles não acertam uma!), mas algumas tradições para mim são sagradas, por exemplo, se eu assisto a um Gre-nal com uma certa camisa e o Colorado toma uma chapuletada, com certeza não a repetirei em jogos do Inter. Não que eu acredite em magia ou algo assim, mas de repente aquele fardamento atrapalhou no equilíbrio das forças do mundo, o que com toda a certeza influenciaria na derrota Colorada.
Mas tem uma coisa em que eu acredito: Os nossos atos pregressos nos colocaram aqui.
Qualquer ato.
Aliás, todas eles.
A cueca que eu coloquei ontem, a corrida de quarta-feira, a festa de fim de ano semana passada, o porre do carnaval, a viagem do ano retrasado e assim vai...
Sabe o efeito Borboleta? Uma borboleta batendo as asas em Quintão pode causar um Tsunami nos EUA (chupa EUA!) é isso.
Cada pequena passagem da nossa vida mexeu um pouco no tecido do tempo e nos trouxe até aqui.
Não sei por que eu e a nega véia nos apaixonamos, sei que a gente se viu numa festa estranha, com gente esquisita... Depois saímos, nos conhecemos, como já havíamos feito com outras pessoas e começamos a namorar como também já havíamos feito com outras pessoas. Mas em algum momento neste tempo que passamos juntos ela e eu nos demos conta de que nossos pequenos atos eram complementos um do outro, nossas loucuras se batiam, nossas batidas eram em sincronia, eu precisava das escolhas dela, e ela das minhas. Nossos atos nos fizeram unir os trapos.
Nossos atos juntos me fizeram ser um homem melhor.
Depois que a conheci, viajei bastante, melhorei como churrasqueiro, como surfista (até troféu ganhei!), como professor, como atleta, como filho e como amigo. Depois que a conheci o Colorado ganhou tudo o que podia (não que eu seja supersticioso)! Compramos nosso canto e somos muito felizes por lá.
Quase 8 anos e agora eu vou me jogar na piscina gelada!
Mas não vou entrar devagarinho, estudando para ver se é mesmo gelada, colocando o dedinho para sentir o frio. Me jogo dando uma ponta! Sem medo de congelar o saco!
Todo mundo sabe que no início a piscina é fria, mas depois o corpo se adapta e a gente curte, nada, brinca e se diverte até o sol se pôr.
E àqueles que ficam do lado de fora para ver se morro de hipotermia, ou nado com tranquilidade nesta piscina, deixo uma carta de alforria:
Coloco as algemas para ser um guru, um estariéts, um Buda, um guia espiritual para todos aqueles que quiserem as palavras sábias de um homem acima de suspeitas um HOMEM agora CASADO!  

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

The Endless Larira…

Era uma noite tipicamente Quintonêsa. Muita música rolando em cada esquina fervilhante, olhares sedentos trocados por todos os lados, anunciando amores de verão chegando. Todos se divertiam, riam, falavam, seduziam… Todos não… Ele não…

O Tio Feito, figura lendária do Quintão, estava em seu tradicional ponto, no meio de um quarteirão movimentado da mais importante avenida da praia. A fila à sua porta já dava uma volta na quadra, como em todas as noites. Ele tagarelava com seus clientes enquanto balançava suas espátulas e batucava a chapa onde fabricava os mais deliciosos crepes dos quais já se ouvira falar, sempre embalado por uma canção que tocava apenas dentro de sua amalucada cabecinha. Entre uma batucada e uma balançada ele questionava o próximo cliente com sua inigualável voz de ébrio habitual: “- E aí maninho, qual vai ser a Larira?”

Sim, Larira. Para alguém que nunca esteve nesta parte remota do litoral gaúcho pode ser desconhecida, mas a palavra é como um coringa, um camaleão linguistico, tomando sempre a forma desejada pelo interlocutor. Neste caso “larira” queria dizer crepe ou sabor, mas poderia ser qualquer coisa!

Invariavelmente depois desta questão, a resposta era uma combinação das mais inusitadas… “-Pô Feito, hoje eu vou de calabreza no meio, banana e esticadinho nas pontas”; ou então “- Aí Feito, me vê um de cebola nas pontas e maçã com calda de abacate no meio”, ou outra loucura alimentícia do gênero.

Mas naquela noite, quando o tio Feito disparou sua questão típica ouviu uma resposta estranha: “-Bah Tio Feito não sei… A Larira tá estranha, não tô pegando ninguém, elas não tão me olhando de jeito nenhum, já tentei as altas, as baixas, as roqueiras, as chinelas e nem as funkeirinhas do Chafa querem a minha Larira!”

O tio Feito ouviu aquilo e subitamente ficou ereto como que em transe, afetado por aquela falta de Larira do menino. Depois de alguns segundos de estranha sobriedade voltou ao seu gingado, e gingando e batendo as espátulas questionou:

“- Maninho, tu quer um remédio pra essa tua larira??”

Ao que o garoto respondeu: “-Claro tio Feito! Essa larira tá demais!”

Então o tio feito batucou suas espátulas como se fosse um pai de santo com seus patuás e declarou: “-Pra acabar com essa Larira, maninho, só uma larira que eu tenho aqui, vou fazer pra ti a Trinca do Amor! Bah maninho, vai ser uma Larira!”

Então ele jogou na chapa a massa de crepe exalou seus maravilhosos odores ao entrar em contato com o calor daquele aço. Em seguida buscou os ingredientes com a ginga de um Mestre Sala da Mangueira e a precisão cirúrgica do Pitangui! – Da geladeira veio o esticadinho:”- Isso aqui maninho, não pode ficar fora da Larira.” Saltou como um gafanhoto, e de um armário cheio de cupins veio o chocolate branco: “-Os cupins dão um sabor especial pra essa Larira!” Deu uma cambalhota no chão terroso e de uma gaveta totalmente enferrujada veio o chocolate preto: “ –Essa Larira veio direto da Suiça, tem que deixar bem no fundinho da Larira, porque ele não gosta de Sol.”

Papo vai, papo vem… O crepe ficou pronto e o Tio Feito ao entregar o alimento mágico soltou uma frase como se fosse uma premonição: “ –Tá ae maninho… Só tem uma coisa Roberto: Toma cuidado… Quando tu pede uma Larira, tu pode conseguir… … … E me paga os 2,50!”

E assim iniciou mais um verão na Quintonésia. Esperem pelos próximos capítulos que pode aparecer amanhã! Ou semana que vem. Ou na outra!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Zé! O Herói Brazuca

Antes de mais nada. O nome pode mudar. E o resto também…

Mas pra começar…

 

Ele era bem pequeno quando descobriu que não era como as outras crianças do bairro. Sempre apanhava no meio do jogo de futebol:

-Mas é ruim esse cara! Pensou o Zé.

- Foi tu né Zé?!

- Eu o quê?

- Que me chamou de ruim, e disse que se soubesse não ia passar a bola pra mim!

- Mas eu nem abri a boca!

- Não sei, mas eu ouvi a tua voz!

Pou! Soc! Tum! A porrada comia pro lado dele.

Ou então quando chegava em casa no dia do boletim:

-Ô guriii! Cadê teu boletim?? Perguntava a mãe dele.

-Bah mãe… Não foi hoje transferiram pra semana que vem. –Ainda bem que ela não sabe que…-Pensava ele.

-Mentira!! Tá na tua mochila no bolsinho do lado, todo amassado! Me dá logo antes que tu apanhe!

Tum! Pá! Pou! Com aquelas notas tinha tomar porrada mesmo!

Parecia que todo mundo podia ler os pensamentos do cara.

Mas depois que cresceu o Zé percebeu que conseguia controlar essa transmissão de pensamentos. E esse se tornou seu grande poder: Comunicação mental!

Uma coisa importante do Zé… É um otário! Talvez um dos maiores! Talvez, quem sabe, o maior da cidade. Não. Do Estado. NÃO! DO MUNDO!

O cara tem um poder que todos gostariam de ter, um poder pelo qual a humanidade tem corrido atrás por muito tempo e só o que ele faz é usar este poder pras ladainhas dele. Como todo bom Brazuca, o Zé quer mais é que o mundo se exploda, desde que ele esteja tranquilo. Olha só.

Semana passada tinha jogo do Internacional. Sim o Zé é Coloradasso!!!

O Inter estava fazendo aquele jogo de sempre, toca prum lado, toca pro outro, gira a bola, volta, vai, mas chutar que é bom nada. E o Zé sabia de quem era a culpa: do Alecsandro! Com certeza! O cara é o centroavante, mas nunca tá posicionado no lugar certo. Não faz gol, não ajuda na marcação… Nada! Como diria um amigo meu: Um Buraco Negro de jogadas!

O Zé não aguentava mais! Faria alguma coisa!

Falou com o Alec!

Sim. Era esse seu poder! Comunicação. E talvez um pouco de poder de persuazão. Não importa. Falou com o Alecsandro!

- Alecsandro! Olha para a linha dos zagueiros! Senão tu vai ficar impedido de novo!

-Quem tá falando!?? Perguntou o jogador, totalmente confuso com aquilo. Nada espantoso, porque normalmente a gente não escuta vozes de dentro da cabeça.

-Hummmm… O Zé deu uma pensada e lascou logo uma religiosa: QUEM TÁ FALANDO CONTIGO É JESUS! TE POSICIONA DIREITO ALECSANDRO!

E o Alecsandro mais espantado respondeu:

-Jesus Cristian??!! Ex-avante da dupla Gre-nal??!! Você veio me dar conselhos sobre como ser um centroavante decente?

-NÃO SEU ANIMAL! Respondeu o Zé, com uma voz de Deus (sei lá como seria essa voz, talvez como a do Sid Moreira… é… pode ser) JESUS CRISTO! EU ME SACRIFIQUEI PELA RAÇA HUMANA, E O QUE TU ESTÁS FAZENDO É UM DESRESPEITO! TE POSICIONA DIREITO E QUANDO BATER NA BOLA BATE QUE NEM HOMEM!!!

E o Alec quase se borrando…

-Tá bom senhor… quer dizer Jesus! Vou tentar melhorar! Obrigado… digo… amém… aleluia… E começou a correr de verdade.

-MAIS UMA COISA!

-Sim senhor?!

-DÁ UMA OLHADA MAIS ATENTA NO TEU IRMÃO, EU ACHO QUE ELE NÃO GOSTA DA FRUTA!

-Vou conversar com ele senhor!!! Obrigado!

Depois disso o Internacional conseguiu vencer o campeonato, com três gols do Alecsandro na final!

O Zé pensou, como em todas as vezes que fazia das suas, que era o maior gênio do mundo! Quanta falta de visão de mercado…

Mas ele levava uma vidinha comum… Trabalho, facul, amigos, futebolzinho, cervejinha… coisas de guri. De vez em quando dava sorte com uma gatinha… na maioria não.

Quando não dava sorte nenhuma apelava pro seu poder.

Mas isso é história pro próximo capítulo!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Retorno!

   Já faz algum tempo venho construindo essa ideia de escrever um livro. Isso mesmo! Um livro. Sim, eu sei… Um livro é uma coisa complicada. Tem a editora, tem o empresário, tem a grana… Problemas pequenos que eu poderia resolver com um pouco de força de vontade e muito puxa-saquismo. Mas o grande problema é outro… Eu não sei sobre o que escrever. E pra esse problema eu não vejo uma solução tão simples.

Já pensei em um monte de coisas.

Talvez uma história na Idade Média, ninguém sabe exatamente o que acontecia naquela época, eu poderia inventar um monte de porcarias, colocar um romance, um bonitão e todo mundo ia engolir…

Pensei em uma história de vampiros (tá na moda!), ia ser assim: Um vampiro bonitão se apaixona pela guriazinha que faz a faxina na casa dele. Mas eu ia dar o meu toque regional… Ele, um magnatinha da Bela Vista, ela, uma funkeirinha da Tinga. Quando ele vai dar a mordida que transformaria a vida da moça para sempre aparece um pedreiro (não um trabalhador da construção civil) que a leva para sua vida de fantasia (que dura apenas 5 segundos, tempo de ação da droga no cerebrozinho de minhoca dele), os dois tentam se casar, mas o vampiro corre atrás de sua amada. No final o pedreiro se apaixona pelo vampiro e os dois passam seus domingos a noite na frente do Zaffari da Lima enchendo a cara de vinho! Não pensei o que seria da guria… Acho que ela abre uma lavanderia e fica rica em um mês… Ou não…

Um livro de auto ajuda era a opção mais segura, começaria com aquele lance de: Você não pode deixar a vida passar à sua frente!!!! Saia dessa cadeira agora! Tente de tudo para ficar rico! Mas se não der você será infeliz!! Você não tem um milhão??? Sua namorada não sai na coluna social da Zero??? Você não tem uma casa com piscina em Atlântida??? CORRAAAAA!!! Você já tem quase 30 anos e não é Bilionário! E acabaria assim: Tá bom, mesmo não sendo ricasso você é legal, mesmo com a esposa gorda e o filho na escola pública… E na última página uma carinha de feliz. :) Talvez quem lesse não… Mas Eu… ia ficar rico!

Não. Nada disso eu conseguiria escrever. Então a TV me salvou. (Não a TV aberta né! Óbvio que não.) A Net e a maravilhosa caixinha! Valeu Ronnie (o tio da Big que nos arrumou a caixinha mágica)

Uma série! Claro!

As pessoas não têm saco, nem tampouco inteligência para ler um livro. Não que a gente não tenha capacidade. Mas um livro é tempo demais desperdiçado. A gente tem mais o que fazer do que ler um livro! Pô. Tem que trabalhar, tem que namorar, e quem não tem namorada (o), tem, no mínimo, a obrigação de procurar desesperadamente um, tem que fazer alguma atividade física (não porque faz bem, mas na RBS tem um programa que diz que é legal demais!) e o mais importante! Tem que fazer uma social né… Nem que seja no Orkut! Pra encurtar o papo… Não temos tempo pra um livro. Mas uma série… Poucos parágrafos por dia… Ahh isso eu aguentaria. E outra, se não estiver legal eu faço como nas séries americanas: Mudo tudo de um dia pro outro. O romance tá chato entre homem e mulher: O cara descobre que é gay! O Médico que tem um problema na perna já não chama atenção: Milagre! O cara se curou e agora faz Cooper todo dia! Entenderam? Posso fazer o que quiser!

É isso. Uma série.

E vai começar amanhã!

Ou depois…

Mês que vem…

Sei lá…

Não sei sobre o que escrever!